Conexão Cristã: Aceitem! Jesus é Rei de Kanye West também!

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Acho que nunca vou me acostumar com a forma como as pessoas que não comungam da mesma fé que eu reagem negativamente quando estão diante de uma conversão genuína. Elas buscam motivos, se convencem de argumentos vãos e até defendem a teoria do ‘defeito temporário’, até terem que encarar a realidade de que sim, alguém pode ter um encontro verdadeiro com Deus e mudar sua vida para sempre e mais, não há nada de errado com isso.

Meu pai é católico praticante assíduo e minha mãe é cristã, mesmo enveredando por experiências místicas que vão da terapia quântica às danças energéticas. Em casa sempre fomos livres para vivenciar nossas próprias maneiras de nos contactar ao ‘Divino’ e nunca nos foi imposto uma verdade absoluta definitiva.

Talvez, exatamente por esse excesso de liberdade para descobrir o novo que, aos dezenove anos, à convite e um amigo, visitei um culto evangélico e nunca mais deixei a fé protestante. Justo eu, que fazia parte de um elenco de teatro libertário e devoto da ciência. Eu, que era o defensor veemente do hedonismo desvairado, acabei por tomar um caminho, no olhar dos outros, castrador e até retrógrado.

Pois é, ‘Deus usa as coisas loucas do mundo para confundir as sábias’, já dizia o genial apóstolo Paulo em suas cartas ao povo de Corinto… “Isso é só uma fase”, dizia minha mãe ao me ver ouvindo mais louvores que Bethânia no quarto. “Deve ter sido a separação precoce dos pais que o fez buscar mais a Deus”, justificava minha finada Vó Irá num dos almoços do círio de Nazaré.

Triste ou engraçado, o fato é que graças a Deus, minha escolha religiosa foi ganhando respeito e até adeptos em casa, e gradativamente fui deixando de ser visto como um ente que sofreu lavagem cerebral e passei até, acreditem, a ser buscado pelos amigos em momentos de angústia para dar uma palavra ou fazer uma oração.

Quando o rapper Kanye West lançou seu primeiro álbum gospel, intitulado ‘Jesus is King’, fiquei estarrecido com a força daquelas canções que mais pareciam um grito de liberdade de um homem absolutamente bem sucedido que viveu uma vida inteira escravizado em seus pecados.

Corri para os sites de notícia para entender como essa obra-prima tinha chegado à imprensa, já que sua conversão não era bem uma novidade desde o festival Coachella, em abril deste ano, quando Kanye transformou aquele show, que acontecia na páscoa, em um verdadeiro culto de adoração à Deus, ao se apresentar junto com o ‘Sunday Service’, grupo vocal que abre o novo disco e com quem tem realizado shows fechados nos quatro cantos dos Estados Unidos.

Nos principais jornais especializados só encontrei textos duvidosos que questionavam a sanidade mental do rapper que, aliás, é o artista com mais estatuetas no Grammy em sua categoria na história da premiação.

No primeiro portal de notícias que acessei (um dos jornais mais respeitados do país) a matéria atribuía, indiretamente, a sua conversão ao colapso nervoso que teve em novembro de 2016, quase que tentando justificar a mudança no curso da carreira de West. Sobre o álbum? Duas ou três linhas citando a participação do Kenny G na faixa ‘Use This Gospel’.

No segundo, uma comparação absurda à Tim Maia em sua fase racional onde, aliás, Tim se afastou das drogas e mergulhou de cabeça na produção de algumas das mais geniais obras que já fez, as quais a imprensa da época fechou suas portas… Nada sobre o disco de Kanye outra vez.

Quase desistindo, ao abrir o terceiro site, me deparei com uma manchete que destacava a decisão de West pelo celibato e a extinção dos palavrões durante a produção do tal ‘Jesus is King’, a quem a matéria sequer se deu ao trabalho de dizer quantas faixas tinha.

Fiquei me perguntando: qual o limite do preconceito religioso no Brasil? Esse país continental que é capaz de ensurdecer seus ouvidos diante de uma obra tão sensível só porque ele decide estampar uma verdade de fé que agora rege a vida de seu autor.

Não sei se é algum tipo de efeito colateral à hóstia que nos foi empurrada goela abaixo pelos Jesuítas portugueses na invasão de 1500 ou a imagem manchada pela corrupção de alguns Líderes evangélicos que barganham a fé em rádio FM e televisão, mas o fato é que, aceitar a entrega total de um astro bad boy da música internacional premiada a Deus parece ser mais difícil de aceitar do que a simples consciência de que, ao respeitar o caminho que cada um deseja trilhar, ainda que seja diferente do seu, não só se facilita a convivência geral, como torna o mundo um lugar ainda mais incrível de se viver, independente de pra quem você confira a autoria dessa criação chamada vida.

Sobre ‘Jesus Is King’, é um álbum que conta com 11 faixas: “Every Hour”, “Selah”, “Follow God”, “Closed on Sunday”, “On God”, “Everything We Need”, “Water”, “God Is”, “Hands on”, “Use This Gospel” e “Jesus Is Lord”. Com a mesma musicalidade que garantiu tanto sucesso à Kanye, o disco se utiliza de bases sonoras de hinos antigos da música gospel americana, em algumas faixas, para que os versos de West ganhem ainda mais fôlego e verdade.

O hip-hop forma uma amalgama perfeita aos cantos com divisões vocais negras e potencializam o discurso das canções que também são carregadas de verdades bíblicas. Vale apena escutar o projeto inteiro de uma vez.

Por Márcio Moreira

Confira o teaser do documentário ‘Jesus Is King’ e Kanye West

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