A visita de Jair Bolsonaro (PSL) ao Muro das Lamentações na última segunda-feira, 01 de abril, foi marcada por um gesto inédito da parte do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que pela primeira vez acompanhou um chefe de Estado ao local sagrado para o judaísmo.

Como a cidade de Jerusalém é alvo de uma disputa milenar com os palestinos, normalmente um chefe de Estado visita o Muro das Lamentações desacompanhado do primeiro-ministro israelense, como forma de não desagradar as autoridades palestinas. O Muro das Lamentações está localizado no Monte do Templo, numa área vizinha a duas mesquitas. Antes, porém, o local abrigava o Templo de Salomão.

O espaço ficou fechado para receber Bolsonaro e Netanyahu, e o presidente brasileiro fez uma oração, depositando um bilhete com um pedido a Deus, seguindo a tradição dos visitantes ao local.

Usando um quipá – espécie de chapéu tradicionalmente usado por judeus – em demonstração de respeito pelas tradições locais, Bolsonaro revelou as palavras escritas por ele no bilhete depositado no muro: “Deus, olhe pelo Brasil”.

De acordo com informações do jornal O Globo, Bolsonaro e Netanyahu também visitaram um túnel arqueológico na lateral do Muro, com câmaras e construções que remontam ao século I a.C. O túnel, aberto à visitação em 1998, provocou protestos dos palestinos à época, já que ele fica sob a mesquita de al-Aqsa e o Domo da Rocha, locais sagrados para os muçulmanos.

“O presidente brasileiro Jair Bolsonaro deu uma tácita aprovação em direção à soberania de Israel sobre Jerusalém — incluindo a Cidade Velha — ao visitar o Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrados do judaísmo, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu”, comentou o jornalista israelense Hagay Hacohen, no jornal Jerusalem Post.

Novo posicionamento

Em campanha, Bolsonaro disse que mudaria a postura da diplomacia brasileira, alinhada há décadas com os posicionamentos favoráveis aos países árabes contra Israel adotados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essa “tradição diplomática” havia sido intensificada nos governos do PT, quando Lula doou um terreno para construção da embaixada palestina em Brasília (DF), e Dilma Rousseff, que recusou a indicação de um embaixador israelense no Brasil.

A atuação de Bolsonaro com Netanyahu fortalece o posicionamento de Israel perante a ONU, e tem causado enorme burburinho nos analistas defensores do antigo posicionamento diplomático brasileiro.

O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, afirmou no último domingo, 31 de março, que a ida de Bolsonaro à Igreja do Santo Sepulcro – também localizada em Jerusalém – sem uma prévia coordenação com as autoridades palestinas configura violação ao direito internacional, pois segundo a Autoridade Palestina, esse território não pertence a Israel: “Visitar a igreja do Santo Sepulcro sem coordenar com autoridades palestinas é quebrar a tradição diplomática brasileira e internacional.  É reconhecer e legalizar a ocupação militar israelense de Jerusalém oriental, capital do estado da Palestina. É violar o direito internacional”, reclamou.

A reação palestina ao posicionamento do Brasil a partir do governo Bolsonaro se dá pelo simbolismo do gesto. Como o presidente prometeu mudar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, e anunciou a criação de um escritório comercial na cidade como um primeiro passo, a visita acompanhada de Netanyahu ao Muro das Lamentações se tornou um recado claro da parte brasileira: reconhece a cidade como a “capital indivisível” dos judeus.

O Muro e os judeus

Os judeus, que descendem do primeiro hebreu Abraão, se tornaram um povo influente após o estabelecimento dos reis, iniciado com Saul e posteriormente com Davi – que dominou Jerusalém há quase 3.000 anos -, e sucedido por Salomão, que construiu o Primeiro Templo na cidade, no Monte Moriá, também chamado de Monte do Templo.
O povo judeu manteve a Arca da Aliança (onde foram depositadas as tábuas com os Dez Mandamentos dados por Deus a Moisés) no templo, destruído por volta do ano de 583 a.C durante a invasão babilônica. Grande parte do povo foi expulso de sua terra durante o conflito, e vários foram enviados para a Babilônia (região entre os rios Tigre e Eufrates, atualmente em território iraquiano) como escravos.

Apesar de alguns serem autorizados a retornar para casa, muitos permaneceram no exílio formando aí a primeira diáspora judaica, que significa “viver afastado de Israel”. Décadas depois, o Segundo Templo de Jerusalém começaria a ser construído por judeus que voltaram à região, então controlada por Ciro, o Grande, rei da Pérsia. A nova edificação, sem a riqueza de detalhes da construção erguida por Salomão, ficou pronta em 515 a.C.

Ao longo dos séculos seguintes, houve conflitos na região, até que o Império Romano tomou o controle em 63 a.C. Duas décadas depois, em meio a diversos conflitos, Herodes convenceu os romanos de que poderia governar o local, foi nomeado rei dos judeus e, dentre outras coisas, restaurou o templo sagrado de seu povo.

Foi o Império Romano que nomeou a região como Palestina e, sete décadas depois de Cristo, expulsou os judeus de suas terras após lutar contra os movimentos nacionalistas que buscavam independência. Ao longo do conflito, o segundo templo foi destruído, e do conjunto arquitetônico original sobrou apenas o que hoje é conhecido como Muro das Lamentações (ou Muro Ocidental).

O território no Monte foi ocupado pelos muçulmanos séculos depois da destruição do Templo, e no local foram construídas as mesquitas Domo da Rocha e Al-Aqsa. Atualmente, há um movimento organizado por lideranças religiosas judaicas para reconstrução do Templo no local, o que implicaria na derrubada das edificações islâmicas.



Fonte: Gospel Mais

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