O movimento liberal que vem influenciando igrejas históricas na Europa e Estados Unidos marcou uma cerimônia de união entre pessoas do mesmo sexo na Igreja Anglicana do Distrito Federal. A celebração ocorreu no último sábado, 27 de abril.

A Catedral da Ressurreição, templo anglicano localizado na Asa Sul de Brasília, teve sua primeira celebração de união homossexual, com leitura de versículos bíblicos, sermão, votos e afirmação de compromissos.

O jornalista Fernando Caixeta, que cobriu a cerimônia, afirmou que Caio e Philipe Silva Costa deixaram a Igreja Católica pela impossibilidade de realizar a união num templo da denominação e se tornaram membros da Igreja Anglicana.

“Há, entre os membros do grupo, outros LGBTs – incluindo uma pessoa transsexual – e nenhum deles sofreu qualquer tipo de discriminação durante reuniões ou celebrações, conforme relata o casal”, informou Caixeta no portal Metrópoles.

A reverenda Tati Ribeiro, reitora da Catedral da Ressurreição, afirmou que a comunidade anglicana de Brasília recebe a todos: “Temos crianças, jovens, adultos, idosos, pessoas LGBT, héteros. Nós acreditamos que o amor de Deus é para todos e procuramos tratar com igualdade e respeito. Ninguém é melhor do que o outro, nem mais importante”, resumiu.

Tendência

A Igreja Anglicana vem passando por um processo de secularização intenso na Europa. A primeira união homoafetiva realizada em um templo da denominação aconteceu na Escócia, em 2017.

Os homossexuais Peter Matthews e Alistair Dinnie se tornaram os primeiros a oficializarem sua união em uma cerimônia realizada em uma Igreja Anglicana no Reino Unido, na cidade de Edimburgo, com aprovação da Igreja Episcopal Escocesa e comemoração por parte dos ativistas gays.

Em 2018, a primeira união homoafetiva celebrada pela Igreja Anglicana no Brasil aconteceu em São Paulo. Duas mulheres oficializaram o relacionamento perante a denominação em um sítio no município de São Bernardo do Campo, com a presença de familiares e amigos.

“A Igreja Anglicana é caracterizada por sua sensibilidade com as questões do mundo moderno, com seus anseios e conflitos, questionando valores petrificados, mas sempre dialogando com a tradição antiga, estudando os textos bíblicos”, declarou o pároco Arthur Cavalcante, da paróquia da Santíssima Trindade, responsável por realizar a cerimônia.

No entanto, em 2014, Justin Welby, líder da Igreja Anglicana e arcebispo de Canterbury, afirmou que é contra a união entre pessoas do mesmo sexo e argumentou que os cristãos não poderiam aceitar a prática porque muitos fiéis seriam mortos em países onde não há liberdade religiosa.

A perseguição a homossexuais em países africanos seria voltada aos cristãos caso a igreja aceitasse a união de duas pessoas do mesmo sexo, disse ele, em entrevista à rádio LBC London.

Colapso

O bispo Gavin Ashenden, um missionário para a Inglaterra que rejeitou sua ordenação na Igreja da Inglaterra (e sua posição como capelão honorário à rainha Elizabeth II), mas continua ligado à Igreja Anglicana global, afirmou que a teologia inclusiva levará a denominação à ruína.

“A identidade e a prática sexual distorcidas são diagnosticadas por Paulo como um sintoma de idolatria. Ele adverte que, quanto mais a sociedade vira as costas para o Deus vivo, mais as pessoas experimentam o mal-estar e a desintegração. Isso se expressa parcialmente em uma confusão de identidade sexual e igualmente pela ausência de continência”, afirmou, citando Romanos 1.

“O atual ataque cultural e ideológico à Igreja toma a forma de um ataque à integridade conceitual do casamento e da família. Ela particularmente se propõe a minar a integridade da igreja sobre a natureza das categorias ‘binárias’, homem e mulher se unindo para co-criar como agentes de Deus”, conceituou.

Tragicamente, “em vez de resistir a este assalto, partes da igreja o recebeu” na forma da “teologia inclusiva”: “Rasgaram um pedaço do contexto de Paulo, fizeram com que ele dissesse o contrário do que pretendia”, lamentou o bispo.

“Paulo explorou as categorias básicas de antagonismos mútuos embutidos em sua cultura: judeus contra os gentios, homens contra as mulheres e os livres contra os escravizados. Uma vez que alguém definido por essas categorias de adversidades entrou em vida nova em Cristo, a vida batizada levou essas antipatias para uma nova identidade”, explicou.

“Nenhum cristão pode ser verdadeiramente cristão se colocar um adjetivo categorizador definidor na frente de sua identidade”, explicou Ashenden. A passagem bíblica de Marcos 8: 34-38, mostra Jesus dizendo a Seus discípulos que quem quisesse segui-lo, deveria “negar a si mesmo, tomar sua cruz e seguir-me, pois quem quer que salvar sua vida [alma, identidade] a perderá, mas quem perdesse sua vida [alma, identidade] por minha causa, a encontrará”.

“Seria ridículo descrever as pessoas como cristãs ‘heterossexuais’. É tão ridículo quanto definir as pessoas como cristãos ‘gays’. A questão não fica mais clara com a observação de que o próprio termo gay é muito desajeitado para atuar como um descritor do horizonte da incoerência sexual que se estende pelo espectro de LGBTIQCAPGNGFNBA, etc”, criticou o bispo.

Gavin Ashenden foi além, salientando que “de todos os adjetivos, o menos desejável seria um adjetivo denotando a perversão da identidade dada por Deus ou uma desordem de comportamento na pureza sexual como habilitada, experimentada e compreendida no Espírito Santo”, pontuou. “Mas é exatamente isso que o movimento do ‘orgulho gay’ se propôs a redefinir e minar a ética sexual cristã e a identidade teológica”.



Fonte: Gospel Mais

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