Foi através das redes sociais que a jovem Eva Luana da Silva, de 21 anos, conseguiu denunciar os abusos e torturas que ela e sua mãe sofreram pelo padrasto no município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador.

Uma jovem de 21 anos que mora no município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, usou as redes sociais para denunciar que ela e a mãe foram violentadas e torturadas durante anos pelo padrasto.

Eva cresceu vendo sua mãe sendo abusada pelo companheiro, mas também se tornou alvo a partir dos 12 anos.

“Minha mãe era agredida, abusada, violada e torturada quase todos os dias. Meu padrasto era obsessivo e ciumento com ela. Resumindo de uma maneira geral, ela era agredida com chutes, joelhadas, objetos. Era abusada sexualmente de todas as formas possíveis. Era obrigada a tomar bebidas até vomitar e quando vomitava tinha que tomar o próprio vômito como castigo. Ele começou a me abusar sexualmente. Eu tinha nojo, repulsa, ódio e não entendia porque aquilo acontecia comigo. Me sentia uma criança estranha e diferente das outras”, contou a jovem.

Aos 13 anos, Eva denunciou o padrasto, mas foi obrigada a retirar a queixa por não haver ação da polícia. “O Estado falhou a tal ponto, que o meu caso não chegou nem ao Ministério Público. Fui obrigada a retirar a queixa por ameaças do meu padrasto. Ele utilizou o poder financeiro pra comprar a liberdade e comprar a minha alma. Porque ali eu perdi a minha alma. E o que eu fui denunciar, 1 ano de sofrimento, se multiplicou em mais 8 anos”, relatou.

Por causa da tentativa frustrada de denunciar o padrasto, Eva disse que os abusos, torturas e agressões aumentaram. “As agressões eram verbais, físicas e psicológicas. Entre elas comer muito, em tempo estipulado. Isso aconteceu com uma pizza família, pra comer inteira em 10 minutos. Óbvio que não conseguimos. Também tomar 2 litros de refrigerante nesses 10 minutos. Eu levei socos no rosto, e ele não me deixava me proteger com a mão. Chutes até cair no chão e, de quatro, ele enfiou as pizzas na minha boca, me chamando de animal. Eu vomitei e comi meu próprio vômito. Meu gato comeu um pedaço e lambeu outro, ele me obrigou a comer o que ele havia lambido”, destacou.

A jovem ainda relatou que era obrigada a fazer trabalhos de faculdade para o padrasto e tinha o celular vistoriado todos os dias. Por causa da possessão do homem, ela não podia namorar, sair com os amigos ou ter vínculo social.


“Essa foto mostra ele me procurando pelo vidro da porta da sala, ele sempre fazia isso durante as minhas aulas”, disse Eva. (Foto: Reprodução/Instagram)

“Ele me agredia nos estupros, mas depois de um tempo, só utilizou das ameaças contra a minha família. Eu era usada como um lixo. Já abortei diversas vezes. Nunca pude ir ao médico pra fazer curetagem. Todas as vezes sangrava e passava mal a noite inteira. Já vi os bebês inteiros no vaso sanitário. Eu era chamada de burra, anta, doente, demente todos os dias, e era obrigada a repetir isso pra mim mesma”, relata a jovem.

“Eu já sai pelada na rua de madrugada, e ele dizia que era para eu ser estuprada por homens. Ele tirava fotos minhas com o meu celular e enviava pra ele mesmo, pra fingir que era eu, criava conversas nojentas com ele mesmo”, acrescenta. “Ele é um monstro. Perdi minha infância e adolescência. Me sentia um lixo por não ter forças pra pedir ajuda e por sentir tanto medo”.

Rede de apoio

Eva revelou que decidiu novamente denunciar o padrasto e pedir ajuda porque “ou ele mataria ou eu me mataria”. “Tentei me suicidar várias vezes com cortes e remédios. Eu contei a verdade pois não aguentava mais”.

No fim da denúncia, ela fez ainda um apelo ao Estado: “Eu sou apaixonada pela vida e pela liberdade, eu pulei fases, pulei etapas, não tive adolescência, nem infância… Ele não pode sair impune, a justiça tem que ser feita o quanto antes. Estado, não falhe comigo novamente”.

Após as postagens, a jovem recebeu várias mensagens de apoio nas redes sociais. Eva é membro da Igreja Vale da Benção, na região do Parque das Palmeiras, e foi fortalecida por cantores e influenciadores digitais cristãos, como Isaias Saad, Ana Rock, Fabiola Melo, Céu Na Terra Movement, Roberta Vicente, Lívia Bember e Pérola Stewart.

O pastor Deive Leonardo também enviou uma mensagem de apoio a Eva. “Que Deus guarde o seu coração. Que a justiça de Deus e a dos homens seja feita. Sua coragem em meio à crise fará milhões se libertarem”, disse ele.

A delegada Florisbela Rodrigues, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Camaçari, disse que a jovem prestou depoimento no dia 30 de janeiro. A mãe dela também falou com a polícia e confirmou as denúncias da filha.

O homem foi preso e, segundo a Polícia Civil, nega as acusações. A polícia informou que está finalizando o inquérito, que será encaminhado ao Ministério Público.



Fonte: Guia me

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