Uma das características do – ainda – incipiente movimento conservador brasileiro são os constantes atritos com os diferentes formadores de opinião em relação aos pormenores da atuação política e social. Em tempo, esse tipo de rusga é comum onde há conservadorismo, uma vez que o livre pensamento é uma das prerrogativas dessa escola ideológica. Dois dos principais influenciadores do grupo, pastor Silas Malafaia e o filósofo Olavo de Carvalho, protagonizaram um bate-boca virtual nas redes sociais, expondo uma certa ausência de foco.

Todo o problema começou com uma crítica de Malafaia ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) por conta de declarações feitas em relação a brasileiros que vivem ilegalmente no exterior. Olavo de Carvalho – já irritado por conta de críticas anteriores do pastor a ele – saiu em defesa do deputado, e em sua resposta apontou certa letargia dos evangélicos ao reagir ao projeto de perpetuação no poder do Partido dos Trabalhadores.

Malafaia, então, disparou críticas a Olavo de Carvalho: “Olavo de Carvalho está equivocado em relação aos evangélicos. Vou colocar uma série de Twitter para desmentir o astrólogo Olavo de Carvalho sobre os evangélicos estarem contra a esquerda 20 anos depois dele. Coitado não sabe de nada!”, iniciou o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC).

“Em 1989, apoiar o PT era como um pecado no mundo evangélico. A liderança evangélica, quase que absoluta, repudiava a esquerda fazendo comparação com a perseguição dos comunistas aos evangélicos na antiga URSS. Em 1989 eu não possuía nenhuma relevância na liderança evangélica, tinha 8 anos como pastor. Minhas posições não possuíam nenhuma influência na comunidade evangélica. Em 1994 e 1998 FHC foi eleito, a maioria dos evangélicos votaram nele, não em Lula, votei também em FHC”, contextualizou o pastor.

Em seguida, o líder pentecostal admite que a certa altura, boa parte da liderança evangélica terminou apoiando a candidatura do ex-presidente Lula (PT): “Em 2002 os evangélicos despejaram voto no 1º turno em Garotinho, pela 1ª vez apareceu um candidato evangélico com chances. No 2º turno, a maioria dos evangélicos apoiaram Lula, inclusive eu. O apoio a Lula não foi pelo víeis ideológico, mas a crença que ele poderia resgatar o Brasil da miséria. Na 1ª eleição de Lula, a maioria da liderança evangélica não o apoiou”, pontuou o pastor.

Esse apoio feito por Malafaia a Lula em 2002 não resume a relação dos evangélicos com o PT, visto que diferentes lideranças da Assembleia de Deus, assim como o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, apoiaram a reeleição de Lula e, posteriormente, as campanhas de Dilma Rousseff.

“2006 não coloquei minha cara para apoiar Lula, 2010, apoiei Marina em um 1º momento, quando ela ficou dúbia sobre o aborto, apoiei Serra. 2014, apoiei Aécio”, acrescentou Malafaia. “Tenho afinidades com Bolsonaro desde 2006 por ocasião do PLC 122. Olavo estava em um rancho nos EUA, eu e Bolsonaro tomando pancada do ativismo gay. Tentaram cassar minha credencial de psicólogo 5 vezes, fora processos. Ficar dando piruada escondido nos EUA, é mole! Aqui fui ameaçado, até hoje respondo processo por defender convicções que Bolsonaro também defende. O meu caso de acusação de homofobia está no STF”, pontuou.

“Todas as audiências públicas no congresso nacional em defesa de nossas convicções ideológicas, eu estava lá. Aborto, casamento gay, ideologia de gênero e etc. Existem vídeos memoráveis. Falar lá de fora é fácil. A influência de Olavo na eleição de Bolsonaro é quase zero. Uma meia dúzia de olavetes que são seus alunos, poucos milhares. O Datafolha mostrou a importância do voto evangélico nessa eleição”, disparou, em críticas à postura do filósofo e seus seguidores mais fervorosos.

“Umas perguntas para Olavo de Carvalho: sua posição sobre Israel, inquisição, esoterismo. Como tem gente enganada no mundo evangélico com esse sujeito. Querem saber quem ele é? Entrem no blog de Julio Severo. Olavo, fale as asneiras que você quiser sobre mim e a posição dos evangélicos ao longo da história. Dizer que nós só chegamos agora para defender esses princípios ideológicos, é rasgar a história, nossas crenças e valores. Bolsonaro reconhece o papel fundamental dos evangélicos”, insistiu o pastor.

Ao final, Malafaia reforçou que “historicamente os evangélicos sempre foram de direita. Isso é tão antigo, antes de Olavo de Carvalho existir, é só ler Max Weber na “Ética protestante e o espírito do capitalismo“, e voltou a alfinetar o filósofo: “Se dependesse de Olavo de Carvalho, nem para vereador Bolsonaro conseguiria vencer. No voto para presidente, Bolsonaro teve dos evangélicos mais de 11 milhões de votos em relação ao que Haddad recebeu dos evangélicos. Números do Datafolha e Ibope”.



Fonte: Gospel Mais

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