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Pastor relaciona evangélicos no Brasil à ascensão do nazismo

O momento de divisão política que o Brasil vive, e a ascensão de um grupo conservador que confronta o que antes era uma hegemonia da esquerda vem provocando algumas manifestações mais agudas, de ambos os lados. Assim, uma publicação do bispo Hermes C. Fernandes no Facebook vem circulando nas redes sociais associando evangélicos brasileiros ao nazismo, e gerando revolta nos internautas que discordam da ideologia de esquerda.

No texto em questão, publicado por Fernandes à época do segundo turno das eleições presidenciais em 2018, o líder da Igreja Reina diz, em letras garrafais, que “os evangélicos garantiram a ascensão de Hitler”, numa alusão ao apoio desse segmento ao então candidato Jair Bolsonaro (PSL).

“Não é a primeira vez que líderes evangélicos apoiam o fascismo. Dentre os 17 mil pastores evangélicos que haviam na Alemanha, nem 1% se negaram a apoiar o regime nazista. Protestantes ouviram seus líderes insistindo que cooperassem com Hitler. A primeira maioria absoluta conseguida pelo Partido Nazista nas eleições estaduais aconteceu em 1932 em Oldemburgo, um distrito em que 75% da população eram protestantes. Nacionalismo, anticomunismo e ressentimentos contra a comunidade internacional devido a tratados punitivos durante a Primeira Guerra Mundial também influenciaram as decisões dos protestantes e católicos”, escreveu o bispo.

Fernandes segue sua comparação um tanto imprecisa dizendo que “a vasta maioria dos que elegeram Hitler eram evangélicos”, e cita “Luteranos, Batistas e outros movimentos chamados ‘cristãos’ liderados por clérigos (pastores, reverendos, diáconos) que só foram ver a tolice que tinham feito quando suas mãos já estavam sujas de sangue de judeu”.

Hermes C. Fernandes é um conhecido apoiador da esquerda, e tem diversas manifestações nas redes sociais contra o movimento conservador. Em 2016, publicou um artigo em seu blog intitulado Por que cristãos demonizam Karl Marx?, numa clara defesa do influenciador ateu (e para alguns, satanista) coautor do Manifesto Comunista.

O texto de Fernandes sobre a ascensão de Hitler segue fazendo associações entre o cenário da Alemanha nazista com o do Brasil nas eleições presidenciais do último ano: “Os evangélicos ou protestantes foram na realidade os principais responsáveis pelo sucesso na eleição de Hitler. Pastores e Reverendos elogiaram o desempenho do Governo de Hitler ‘pelo papel desempenhado a favor das crianças e dos desempregados, pela atual administração [nacional socialista]’. Na Alemanha as igrejas protestantes luteranas e reformadas apoiaram e foram cúmplices do nazismo”.

O bispo segue em seu artigo traçando paralelos com o Brasil atual num esforço de convencer que o país caminha a passos largos para se tornar uma ditadura como a comandada por Hitler: “Observe o caso do Pastor Batista John W. Bradbury, de Boston, Massachusetts. Após voltar da reunião feita pelos Batistas na Alemanha, ele disse que era um prazer ter ido a uma terra onde livros de sexo e filmes imorais não eram assistidos”.

A crítica ao conservadorismo, para além do momento eleitoral, delineia o movimento de antagonismo à esquerda como a fonte de todos os males, na perspectiva do bispo Fernandes. “Poucos foram corajosos o suficiente para denunciar o nazismo. Em 1934 a Declaração Teológica de Barmen, escrita primariamente por Karl Barth com o apoio de outros pastores reafirmava que a Igreja Protestante Alemã não era um órgão do Estado, com o propósito de reforçar o Nazismo, mas um grupo sujeito apenas a Jesus Cristo e seu Evangelho”.

Reação

Internautas reagiram às acusações veladas feitas pelo bispo de uma suposta cumplicidade com a ascensão de um regime de exceção no Brasil. “Onde tem fascismo no Brasil pastor? Onde a constituição foi rasgada para a ver apoio ao fascismo? Não entendo esse alarmismo todo”, comentou um seguidor da página de Fernandes no Facebook.

“A palavra fascismo está na moda! Tudo é fascismo agora. Para se concretizar um governo fascista a constituição deve ser rasgada e um regime fascista instalado. Nas eleições norte Americanas Trump foi acusado de fascista, novo Hitler, ditador, anti Cristo, e desumano. Porém, mesmo com os ‘sinais’ não podemos negar que os “sinais” estavam equivocados. Menos alarmismos por favor! Paz”, acrescentou o mesmo internauta.

Outro usuário do Facebook ponderou: ”Eu entendo a oposição ao Bolsonaro. Mas não temos opção. Porque votar no 13? Não no Haddad… mas no PT. Ele é só o representante como o mesmo disse”, escreveu, questionando Fernandes sobre qual seriam seus argumentos para reconduzir ao poder o mesmo grupo político que levou o país ao cenário de crise e corrupção generalizada.

Um dos seguidores do bispo que discordou dele, apontou a necessidade de enfatizar o real cenário que se registrou no nazismo: “Para mim, foi TODA A POPULAÇÃO alemã praticamente. A Alemanha estava de joelhos. Sejamos mais justos em nossas colocações”, cobrou.



Fonte: Gospel Mais

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